Mundo
Parlamento Europeu debate trabalhos forçados de luso-belga condenado na República Centro-Africana
A delegação UE-África do Parlamento Europeu discute esta quarta-feira a situação de Joseph Figueira Martin, antropólogo e trabalhador humanitário luso-belga, condenado no final do ano passado a dez anos de trabalhos forçados na República Centro-Africana.
O eurodeputado Francisco Assis denuncia a prisão como “ilegítima” e apela à mobilização da sociedade portuguesa, alertando para o agravamento do estado de saúde do detido e para acusações “absolutamente falsas” de terrorismo, atribuídas após a sua captura pela organização russa Wagner.
"Nós entendemos que não há nenhuma razão para que ele continue o preço, que há razões até humanitárias, para que ele seja imediatamente libertado".
"Continuam a ser feitas diligências diplomáticas, quer por parte da União Europeia, quer por parte dos Estados belga e português, no sentido de se alcançar a solução mais justa que é esta que acabei de referir".
"É uma situação que devemos olhar com muita atenção. É um compatriota nosso está neste momento numa prisão terrível na República Centro-Africana, acusado de práticas de terrorismo que são absolutamente falsas".
"Trata se de um antropólogo que tem dedicado a vida ao apoio a populações em várias zonas do mundo, e em particular naquela zona de África, e que estava a desenvolver um trabalho nesse domínio e que foi preso pela organização russa Wagner, que essa sim é uma organização terrorista, e foi entregue por às autoridades da República Centro-Africana e construíram uma série de acusações contra ele e com base nelas, condenaram a uma prisão totalmente ilegítima”.
O eurodeputado afirma ainda que este Joseph Figueira Martin “está há muito tempo nesta situação”: “A sua saúde está se a debilitar dia a dia. Começamos a temer pela sua própria vida e creio que temos que fazer um esforço muito grande".
Francisco Assis apela por isso à mobilização da sociedade civil portuguesa.
"E eu até faço um apelo à sociedade portuguesa. Nós, portugueses, ao longo dos anos, mobilizamos em torno de causas humanitárias de acordo com os nossos princípios humanistas em geral, e este é um caso muito concreto".
"É um português e um cidadão luso-belga que tem neste momento a sua mulher e o seu filho de dois anos no Algarve, em Tavira, e que está a viver em circunstâncias absolutamente indignas por motivos de perseguição política pura e simples. Tem que haver um grande empenhamento de todos, um empenhamento do Estado português, mas também um grande empenhamento da sociedade portuguesa”.
O Parlamento Europeu já aprovou uma resolução sobre o caso deste cidadão luso-belga em Junho do ano passado em que condenava a detenção arbitrária e a tortura do investigador e trabalhador humanitário.
Na mesma resolução os eurodeputados pediram condenaram veementemente as violações de Direitos Humanos da República Centro-Africana.